- 11:08
- 0 Comments
A exaustão me fez conformar com o monótono dia-a-dia. Aceitei essa decrepitude, não sei até quando. A raiva floresce quase todas as manhãs, desabrocha em tédio e pela noite, some.
A ânsia de vômito não voltou e não mais empalideci. Tudo parece tão insípido, mas tão pouco exasperador que essa quietude quase pode ser chamada felicidade.
Não tenho mais pensado nisso com tanta frequência, mas acho que há dias em que não me importo em viver mais um dia, outro dia monótono, mais uma chance para a raiva fluir e depois desaparecer.
- 19:05
- 0 Comments
O sangue escorre para fora como suor até restar apenas o frio e a ausência que sou.
Estou
inerte sob uma vastidão de luzes fracas. A multidão passa incessantemente
e minha voz falha.
Dias
que se acumulam e emaranham descoordenadamente, sem propósito, apenas existindo
em caos dissonante.
O
canto agudo ao longe ressoa com a quieta agitação interna. O estardalhaço dos
pássaros ao entardecer soa como um mau agouro. Tento decidir se é algo
realmente indesejado.
O
aroma azedo da inalterabilidade impregna e nauseia. A escuridão desce em
incerta calmaria. O dia levanta outra vez em escuridão.
- 20:35
- 0 Comments
A
gaiola está fechada e eu não enxergo as grades. O vento e o seu frio incomodam, mas
não tenho para onde ir. Estão todos lá fora voando e eu aqui me perguntando se
saberia voar como eles. Será que gostam de voar? E suas asas, será que não
fatigam?
Não
recordo desde quando estou nesta gaiola. Talvez tenha nascido aqui ou talvez
tenha entrado sem perceber. Às vezes é confortável, mas quando olho em redor
sinto medo, todo tipo de medo, e volto a me encolher no canto.
A
gaiola está fechada? Não sei ao certo, não enxergo. Não posso dizer muita coisa
sem ver suas grades e onde estão, por isso permanecerei aqui até quem sabe algo
descobrir.
- 22:19
- 0 Comments
- 09:23
- 0 Comments
- 03:12
- 0 Comments
- 14:35
- 0 Comments
- 00:08
- 0 Comments
- 15:29
- 2 Comments
- 11:12
- 0 Comments

